Oliveira do Bairro

 

 

Terra do vinho e do Leitão, a região da Bairrada é uma forte região na zona Centro de Portugal. Oliveira do Bairro é um dos concelhos de que faz parte da região bairradina.

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Bilhete postal de 15 reis da Emissão de D. Luís, Fita Direita, com cercadura, em cart. fina, rugosa, camurça, com fios de seda, circulado de Oliveira do Bairro (4.12.80) pª Coimbra (4.12.80, no verso). Nota: esta atípica marca datada de Dupla Oval de OLIVEIRA DO BAIRRO (não apresenta caracteres na parte inferior) é muito rara (principalmente sobre peça).

 

 

BUSTOS:

«PARA A HISTÓRIA DOS CORREIOS

Comemora-se este ano o 50º aniversário da inauguração das “novas instalações da estação do Correio de Bustos”. O edifício, que continua em utilização, foi construído em terreno oferecido pela população aos CTT, sob a égide da Junta de Freguesia. No dia da inauguração, 4 de Agosto de 1956, a Administração-geral dos CTT distribuiu um desdobrável para assinalar esta importante realização (a 60ª do plano de instalação e reinstalação de pequenas estações de província) e prestar homenagem ao povo de Bustos. É o texto desse documento que mais abaixo divulgamos, seguido pelo extracto de algumas actas da Junta de Freguesia versando o assunto.

INAUGURAÇÃO DAS NOVAS INSTALAÇÕES DOS CORREIOS (1956)

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O edifício da estação dos CTT de Bustos foi construído pela Junta de Freguesia de 1931 (visto os serviços funcionarem num barracão com muito más condições para o público) e doado à Administração Geral por deliberação da mesma junta em 1932.
Em 1952 ao encarar-se a automatização telefónica de Aveiro e sua região verificou-se que o edifício, demasiado pequeno, não permitia a modernização do serviço telefónico. A Administração Geral pediu então à Junta de Freguesia a sua colaboração no sentido de se obter terreno para a ampliação da estação. A Junta ofereceu logo as suas diligências e em 1953 constituiu numa comissão destinada a angariar fundos para a compra do terreno – 313m2 – que foi adquirido no mesmo ano e doado aos CTT em 1954. Para as obras a fazer aproveitaram-se ao máximo as paredes-mestras do antigo edifício que foi ampliado e interiormente adaptado às novas necessidades dos serviços.
A capacidade do prédio está duplicada e o arquitecto Vasco Leone dos serviços de edifícios e mobiliário dos CTT, projectou uma estação graciosa e moderna, com fachada nova, por ter sido demolida a anterior para recuar o edifício, em virtude de assim o exigir o desafogo da estrada fronteira. As novas instalações comportam sala do público, dos serviços, do automático telefónico, de baterias, arquivo e arrecadação, no rés-do-chão, e residência do chefe com 8 divisões no 1º andar.
A construção foi pedida em Agosto de 1954 à Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e autorizada pelo Governo em Novembro do mesmo ano. Em 1956, já quase pronto o edifício, foi-lhe acrescentado um muro de vedação do logradouro.
A freguesia de Bustos, do concelho de Oliveira do Bairro, na fértil e atraente região da Bairrada, fica servida com uma estação de correio ampliada e remodelada de tal forma que mais parece uma construção inteiramente nova o que altamente a valoriza.
A população de Bustos tem dado à Administração-Geral a melhor colaboração, de há muitos anos para cá. Em 1927, quando foi criada a Estação Telégrafo-postal de Bustos, foi uma comissão local, constituída pelos senhores Manuel Joaquim de Oliveira Sérgio, Dr. Manuel dos Santos Pato, Visconde de Bustos, Manuel Reis Pedreiras, Manuel Francisco Rei, Vitorino Reis Pedreiras, Manuel Francisco Domingues, Albano Tavares da Silva, Manuel Nunes Pardal e Herculano da Silva, que tomou a seu cargo a renda do edifício particular em que se instalaram os serviços e o primeiro deu ainda hospedagem ao encarregado da estação. Foram os mesmos senhores que promoveram em 1931 a aquisição do terreno onde se construiu a estação inaugurada em 1932. A Junta de Freguesia custeou durante alguns anos a despesa de uma condução de malas. Em 1938 a estação passou a regional. Em 1940 passou a ter rede telefónica que conta actualmente com 60 assinantes. Em 1946 foi estabelecida a distribuição postal domiciliária. Em 1950 o transporte de malas é motorizado. Agora vão os telefones ser automatizados.
A Administração Geral tem por seu lado correspondido ao interesse da população pelos serviços. Aliás é este o espirito que preside ao Plano de Instalação e Reinstalação de Pequenas Estações de Província, que conta já, com a de hoje, 60 realizações espalhadas por todo o país, com o valioso apoio de quem, nas pequenas localidades se interessa pelo progresso delas.
A Administração Geral dos CTT tem o maior prazer na abertura desta nova estação e deseja aproveitar a oportunidade para prestar as suas homenagens à benemérita Junta de Freguesia de Bustos e a todos quantos com ele, têm, em três décadas, contribuído para o desenvolvimento e a modernização do serviço do correio nesta região privilegiada.

OS CORREIOS NAS ACTAS DA JUNTA DE FREGUESIA

10. 02. 1929
Presentes na casa das sessões o Presidente José Joaquim Simões dos Louros e os vogais Silvestre da Silva Martins e Sebastião d'Oliveira Canão
...
Carecendo-se de casa para a instalação da estação do correio e telégrafo desta localidade e, não havendo mais, arrendou-se uma que precisa obras para ser adaptada para tal efeito, pelo que se põem as mesmas em arrematação, afixando-se para tal fim os competentes editais.
...
Lida a correspondência foi tomado conhecimento do ofício n.º 16 da estação dos correios e telégrafos de Bustos e como o que nele se oferece de malas para a condução do correio não satisfaz as justas aspirações do povo desta freguesia, deliberou-se oficiar ao Chefe dos correios e telégrafos de Aveiro, pedindo o estabelecimento de duas malas da estação do caminho de ferro de Oliveira do Bairro para a estação telégrafo - postal de Bustos, concorrendo esta Comissão Administrativa com a importância necessária para tal serviço.


27.07.1930

Lido o expediente, tomou-se conhecimento do ofício da Comissão constituída pelos senhores Visconde de Bustos, Doutor Manuel dos Santos Pato, Manuel Joaquim de Oliveira Sérgio, Herculano da Silva, Manuel Reis Pedreiras, Vitorino Reis Pedreiras, Manuel Francisco Domingues, Manuel Francisco Rei e Manuel Nunes Pardal, pelo qual ofício aquela Comissão vem comunicar que, tendo adquirido ao Senhor Herculano da Silva um terreno no sítio de Bustos, a confrontar a norte com João Nunes Ferreira, do lado sul com Jacinto dos santos, do nascente com o vendedor e do poente com a estrada distrital antiga n.º setenta e cinco para nele ser construído o edifício para a estação telégrafo – postal, para este mesmo efeito vem a citada Comissão ofertar aquele terreno a esta Junta sem quaisquer encargos, oferta esta que, reconhecidamente se aceita, deliberando esta Comissão Administrativa considerar beneméritos aqueles referidos senhores e autorizar o Presidente desta Comissão Administrativa, José Joaquim Simões dos Louros, a representar os vogais para o efeito de aceitar a doação do citado terreno por documento público e autorizar também o mesmo Presidente a ordenar o pagamento ao Notário, das despesas com o documento.

José Joaquim Simões dos Louros
Silvestre da Silva Martins
Sebastião d' Oliveira Canão

13.02.1938
Foi ainda mais deliberado oficiar ao Excelentíssimo Chefe das Finanças do Concelho de Oliveira do Bairro para que se digne passar certidão da matriz predial urbana do prédio onde está instalada a Estação Telégrafo-postal desta freguesia, a fim de se satisfazer o solicitado pela Ex.ma Direcção-Geral dos Correios Telégrafos e Telefones.

10.12.1939
Como esta Junta fosse atenda ao pedido que fez a Digníssima Administração Geral dos Correios Telégrafos, deliberou oficiar aos Senhores beneméritos que compraram o terreno para fazer o Edifício dos Correios Telégrafos, convidando-os para uma reunião para darem o seu parecer a fim de cedência do dito Edifício à Administração Geral.

06.06.1954
Por lapso não foi passado em sessão de Dezembro a nomeação duma comissão organizadora de fundos para a compra do terreno e remodelação de um muro junto ao Edifício dos C.T.T. para ampliação do mesmo. Esta Junta resolveu esta nomeação visto a já nomeada não aceitar esta missiva. Fica composta pelos seguintes senhores: Presidente: Manuel Simões Ferreira J.or, Tesoureiro: Manuel Simões da Cruz, secretário: Manuel Simões Luzio. O terreno a comprar é para oferecer gratuitamente aos C.T.T.

05.12.1954
Compareceram nesta sessão os senhores Manuel Simões Ferreira J.or, Manuel Simões da Cruz e Manuel Simões Luzio, respectivamente presidente e vogais da comissão encarregada por esta Junta em sua sessão de seis de Junho do corrente ano a qual cumpriu a missão confiada, a apresentarem a esta Junta as contas de receita e despesa para o que foram nomeados, sendo a receita de cinquenta e cinco mil quinhentos e treze escudos e dez centavos e a despesa de igual valor.

(Recolha de Sérgio Ferreira)

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in Blog «Notícias de Bustos», 2006/03/01
http://noticiasdebustos.blogspot.com/2006_03_01_archive.html

«QUERIDA ESTAÇÃO» DOS CTT! (*)

... Uma simples caixa postal, criada em 1886, não podia servir bem a população da freguesia de Bustos no início dos anos 20. A expansão das actividades comerciais, industriais, culturais e sociais em geral exigia com urgência uma estação telégrafo-postal na localidade.
Foi no termo de Maio de 1927 que a Junta de Freguesia local, presidida por Manuel Francisco Rei, viu criado pelo Governo, a seu pedido, aquele serviço público, que só em 14 de Outubro seguinte viria a ficar instalado numa Casa particular. Era, apenas, o começo de uma pequena «odisseia», que Manuel Joaquim d'Oliveira Sérgio recorda, com pinceladas de cores vivas, no opúsculo «Há males que vêm por bem – Como foi criada a Estação Telégrafo-Postal em Bustos» , publicado em 1956.
Um grupo de meia dúzia de bairristas teve logo que angariar nas próprias aIgibeiras a quantia de 5700$00 [1] para custear a aparelhagem necessária à estação. Naquela altura, quando a franquia de uma carta importava em dez centavos [2] (ou ainda menos?), 5700$00 era bastante dinheiro. Mas, em 1930, foi preciso ir além disso e comprar também o terreno próprio para construir o edifício da estação, o qual custou 9.000$00 [3] e foi pago pelo mesmo grupo, e outros elementos da população. Por outro lado, este grupo responsabilizava-se pelo pagamento do aluguer anual (200$00 [4] ) das instalações provisórias e teve de pagar 13$40 [5] , por cabeça, pela escritura de doação do terreno ao Estado...
Assim, com o progresso arrancado «a ferros», merece homenagem esse grupo de bustuenses animosos, parte dos quais eram comerciantes: Manuel Nunes Pardal, Herculano da Silva, Albano Tavares da Silva, Manuel Francisco Domingues, dr. Manuel dos Santos Pato, Manuel Reis Pedreiras, Vitorino Reis Pedreiras e Manuel Joaquim d'Oliveira Sérgio . A lista não é exaustiva e a ordem dos nomes é arbitrária.
A estação telégrafo-postal começou a funcionar apenas em 1 de Janeiro de 1928. A Junta de Freguesia pagou a condução das duas malas do correio desde 10 de Junho de 1929 até 19 de Fevereiro de 1932. A partir desta data, tal encargo ficou reduzido a metade. A despesa da condução das malas postais passou integralmente a ser suportado pelos Correios em 16 de Janeiro de 1940 e só em 1 de Agosto de 1946 a estação começou a beneficiar de distribuição oficial de correspondência (carteiro, para Bustos e Mamarrosa).
Em 15 de Fevereiro de 1950, as malas postais deixaram de circular por via ferroviária, passando a ser conduzidas pela carreira de camionagem Coimbra-Aveiro. A seguir veio um edifício novo e a instalação da central telefónica automática, inaugurando melhores tempos...
Enfim, foi longa a luta que fez nascer e manter a estação local dos Correios. Deixou uma estrada de sacrifícios. Por isso se justificou bem toda a música e foguetes, toda a alegria e tristeza que rodearam, no dia inaugural, a «querida Estação».
Rematando com Manuel Joaquim d'Oliveira Sérgio, diremos, transcrevendo o seu opúsculo:
«Como vêem, os que naquele tempo ainda não existiam ou eram crianças, e é a estes que me propus dar este esclarecimento, o letreiro que encimava a fachada do edifício dos Correios não representava a expressão da verdade, pois que, a fazer-se um letreiro, deveriam incluir-se nele os nomes de todos aqueles que, pela obra, se sacrificaram». (a)
__
(*) Arsénio Mota, Bustos – elementos para a sua história, Edição da Associação de Beneficência e Cultura de Bustos, 1983 .
­­________
[a] Desaparecido o opúsculo, perdeu-se uma franja da História de Bustos.
Na fase inicial da sua actividade, os correios tinham pouca procura, logo arrecadava pouco dinheiro. Perante tão diminuto movimento, Bustos poderia ser penalizado pela Administração dos Correios. Havia que dinamizar o movimento da “querida estação”. Num golpe de magia, Manoel Joaquim d'Oliveira Sérgio compra selos aos contos de reis. As receitas da estação telégrafo-postal trepam em flecha, tendo desaparecido as ameaças de cortes nos serviços da estação.
O Senhor Sérgio, prestigiado comerciante, tinha previamente acertado com alguns fornecedores que os pagamentos pudessem ser efectuados em selos do correio.

in Blog «Notícias de Bustos», 2006/06/30
http://noticiasdebustos.blogspot.com/2006/06/querida-estao-dos-ctt.html

 

PALHAÇA

" UM NOVO EDIFÍCIO PARA OS CORREIOS
“in Carlos Braga, Palhaça – História dos Espaços Sociais e Comunitários [séculos XIX-XX], Edição da Junta de Freguesia da Palhaça, 2003, pag.s 118 – 120”

Problemas com o proprietário da casa onde estava instalada a estação telégrafo-postal – que não estava interessado em continuar com o arrendamento – levaram as autoridades políticas locais a equacionar a construção de um edifício públíco para esse fim. O problema era grave: faltando casa, a estação corria riscos de ser extinta na freguesia.
Em 1926 a Junta oferece ao Ministério do Comércio a quantia de 10 000$00, «não sendo preciso grande edifício, nem muito luxuoso». 70 Em 1928 não só mantém essa oferta, como ainda oferece mais 2 000$00 e o terreno para a construção. Este novo esforço da Junta representava «não só a vontade de auxiliar o Governo, mas também o desejo de que não seja extinta esta Estação que muita falta faz, sobretudo nos dias dos grandes mercados, 12 e 29 de cada mês». 71
O novo edifício, que custou à Junta 24 contos, foi sendo construído ao mesmo tempo que o das Escolas Primárias. Como o seu custo era muito menos dispendioso, foi concluído quase 4 anos antes daquele. Abriu ao público no dia 15 de Outubro de 1929. A inauguração fez-se no. domingo seguinte, dia 20, com a presença «da música excomungada [a Banda do Troviscal] executando belas e agradáveis peças do seu belo reportório». 72
Nos termos da Lei do Estado era obrigatório fazer a sua entrega à Administração dos Correios. Assim aconteceu, mas as autoridades locais exigiram que no acto da entrega ficasse consignada a cláusula seguinte: «se em qualquer tempo e por qualquer motivo for retirada deste lugar a repartição dos correios e telégrafos, o edifício volta para a posse da Junta». 73 Ambas as partes concordaram com esta cláusula de reversão. Por isso faz parte integrante da escritura, a qual refere que a propriedade doada não pode «ser pelo estado destinada a outro fim que não seja aquele, ficando a cargo da [entidade] doadora a conservação e reparação, interior e exterior, do referido edifício doado». 74
Como os CTT se aprestam para mudar de espaço físico, passando a funcionar em edifício arrendado, num lugar um pouco mais central e também mais espaçoso e funcional, este documento assume particular relevância.
Tudo indica que o edifício desactivado pertence à freguesia da Palhaça, pois deixa de cumprir as funções para que foi criado. Alguém de bom senso soube acautelar para o futuro os interesses da sua terra. 75" [Notas]
"70 Oficio n°, 9, 26.09.1927, dirigido ao Ministro do Comércio e Comunicação.
71 Oficio n°. 22, 04.08.1928, dirigido à Secção Electrotécnica da Administração-Geral dos Correios e Telégrafos - Porto.
72 O Democrata, 02.11.1929.
73 Ver oficio n°. 43, de 30.08.1929, para o Director-Geral dos Correios e Telégrafos - Lisboa.
74 Ver «Doação que faz a Comissão Paroquial Administrativa da Palhaça ao Estado., 23.09.1929. Escritura lavrada no Segundo Cartório Notarial de Aveiro.
75 Sobre esta questão ver Carlos Braga, .De quem é o edificio dos Correios?», Jornal da Bairrada, 20.12.2001, p. 14. "

 

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