Flâmula: 25 Abril 1999
Em 25 de Abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas derrubou o regime de
ditadura que durante 48 anos oprimiu o povo português. A Liberdade foi restituída
aos Portugueses e, com ela, a dignidade e a capacidade de decidir sobre o seu
destino. Com este movimento, transformado na Revolução dos Cravos, os
militares de Abril assumiram o sentir do seu povo e interpretaram uma longa
resistência democrática, recolocando Portugal no contexto das nações livres
e amantes da paz.
Os militares de Abril, em menos de 24 horas e sem derramamento de sangue,
ocuparam os centros de poder e prenderam ou neutralizaram os representantes do
regime. Os comunicados que foram emitindo e a proclamação feita ao fim do dia
não deixaram dúvidas sobre o sentido democrático da sua intervenção.
Para ocupar o poder transitoriamente, o MFA nomeou uma Junta de Salvação
Nacional a fim de dar cumprimento ao seu programa de acção, o "Programa
do MFA" . Nele se previa a nomeação de um governo civil, a realização
de eleições para uma Assembleia Constituinte, o exercício das liberdades
fundamentais, a concretização de uma política de descolonização.
O povo português, à medida que se apercebeu do sentido democrático do
movimento, tornou-se um figurante activo, vivendo intensamente todas as peripécias
da revolução e participando com entusiasmo em muitas das conquistas dos
revolucionários. O movimento popular acompanhou os militares desde as primeiras
horas do 25 de Abril até à consagração final da Revolução dos Cravos, no 1º
de Maio, sétimo dia da revolução.
A censura existiu ininterruptamente durante os 48 anos do chamado 'Estado Novo'.
No primeiro dia da revolução os jornais publicaram-se sem censura. Essa foi a
primeira conquista democrática do povo português, que mudou completamente o
seu quotidiano político e cultural.
As prisões políticas abriram as portas para a liberdade a todos os acusados de
delito de opinião pelo regime derrubado. O novo poder reconheceu a todos os
portugueses exilados o direito de regressarem à sua Pátria. Para os militares
de Abril só fazia sentido a construção de uma nova sociedade, se ela soubesse
e pudesse receber todos os portugueses. A democracia iniciada com o 25 de Abril
integrou no se cidadãos, mesmo aqueles que sempre ma desacordo com a liberdade.
O Programa do MFA continha uma inequívoca concepção do princípio da
autodeterminação e independência das colónias, única forma de pôr fim à
guerra. A maioria dos militares de Abril aceitava o princípio inalienável das
colónias construíra autonomamente, o seu próprio futuro. O povo português e
povos das colónias compreenderam, desde muito cedo, a mensagem do 25 de Abril
em relação à política colonial, assumindo a defesa do fim da guerra e do
reconhecimento das independências.
Apesar das hesitações e das dificuldades, a breve prazo se iniciaram conversações
entre o Estado Português e os Movimentos de Libertação, conversações que
conduziram ao fim da guerra e ao nascimento de novos países.
Com as impressionantes manifestações do 1º de Maio, o povo português
consagrou o 25 de Abril e a sua mensagem de liberdade. O movimento envolveu
todos os participantes, ganhando, com uma espantosa afirmação de vitalidade, a
força necessária para prosseguir a mudança. Democratizar, Descolonizar e
Desenvolver foram o lema para o regresso de Portugal ao fórum das nações
livres.
Aniceto Afonso
No dia
25 Abril do Regimento de Infantaria nº 10 de Aveiro sai uma força que se junta a outras
na Figueira da Foz para constituir o Agrupamento Norte. Pelas 2:30, o capitão Dinis de Almeida e Fausto Almeida Pereira
apoderaram-se do
III Regimento de Artilharia Pesada (RAP 3) na
Figueira da Foz e prenderam os restantes oficiais leais ao regime.
Almeida Pereira invadiu mais tarde a Escola de Sargentos de Águeda.
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